quarta-feira, 30 de junho de 2010

Revista no Divã de Porto Feliz/SP entrevista a Porão 365.

A banda PORÃO 365 surgiu em 1997 com a proposta de fazer rock and roll. Com composições próprias e personalidade a banda ganhou espaço na cidade de Porto Feliz-SP e região onde a música sertaneja é predominante chegando a ganhar este ano um dos maiores festivais de música indepentende do país (9º Festival Coletanea de Bandas do estado de São Paulo). Os integrantes da banda são: Ciré (vocal) , Fer Tavares (baixo), Alan (guitarra) e Mateus (bateria).

1 – A banda já está 13 anos na estrada em algum momento pensaram em desistir?
Jamais pensamos em desistir porque esse é um dos maiores projetos de nossas vidas. Acreditamos muito em nosso trabalho e por fazê-lo de forma verdadeira sabemos que os resultados chegarão se formos merecedores. O que nos deixa felizes é que a cada ano a banda se projeta mais dentro do cenário do rock nacional. Isso é o que nos motiva e nos dá força para seguirmos em frente sempre.

2- Como foi ganhar o 9º Festival Coletanea de Bandas do estado de São Paulo? O que esta vitória acrescentou na carreira da banda?
Foi uma emoção maravilhosa. Entramos no festival sabendo que seria muito bom para que pudéssemos mostrar nosso trabalho na capital ao lado de muitas bandas que estão na luta como nós. Além da grande projeção nacional que essa vitória nos proporcionou, pudemos observar muitas bandas legais que estão surgindo em nosso país. A falta de espaço nas rádios para o Rock hoje em dia é visível e esse tipo de festival valoriza o trabalho independente e abre novas portas para bandas como a Porão 365 mostrarem a sua música. Ficamos muito felizes por levarmos um ônibus com fãs de toda a região, o que nos proporcionou um dia mais que especial junto deles, já que foram conosco e compartilharam de toda essa sensação boa. Foi incrível. Tudo isso aconteceu no Manifesto Bar que é um dos, ou senão, o mais conceituado bar de Rock do país. Já passaram pelo palco do Manifesto muitos de nossos ídolos, e isso nos deu aquela sensação boa, foi bem interessante e excitante.

3 – Já estão trabalhando em um novo cd?
Já estamos compondo o novo trabalho e inclusive já estamos tocando algumas das músicas novas nos shows. Estamos conversando com vários produtores e decidindo onde gravaremos o próximo CD. Em breve os fãs terão mais novidades.

4- Se tivessem que escolher uma música de vocês qual seria? Por quê?
É duro escolher uma música somente depois de termos gravado mais de 20 músicas. Posso citar como uma música especial para todos nós “Gênia”, que foi o primeiro single do “Vai Se Lembrar de Mim”, e nos fez muito mais conhecidos assim que chegou as rádios de todo o Brasil.

5- Quais são as influências musicais da banda?
As influências da banda vão desde a música sertaneja raiz do Brasil, passa pelo nossa MPB e tem elementos de todas as vertentes do Rock. O Cirè se inspira no grunge de Seattle, na MPB e no sertanejo raiz. Já o Alan gosta dos “guitar heros”, hard rock, progressivo e rock clássico. O Fer também é um grande admirador do Hard Rock e do Heavy Metal. Eu posso garantir que sou o que curto as coisas mais pesadas como as bandas de trash, heavy e um pouco de speedy. Todas essas influências são refletidas em nossas músicas e acho que isso é uma das razões de termos um som que não se parece muito com que já foi feito no rock brasileiro anteriormente. Usamos guitarras de 7 cordas, pedal duplo e muitas linhas de guitarra nas músicas. Acho isso bem legal, pois mostramos um rock diferente e verdadeiro.

6 – Como foi chegar até um estudio, a gravação de um cd? Foi dificil?
O mais difícil para uma banda independente acredito que seja atingir a maturidade necessária para entrar em estúdio e gravar um disco que realmente foi planejado e que depois de pronto permite a você dizer – Chegamos ao resultado esperado. Nos outros álbuns sempre ficamos com aquela sensação de que faltava algo e já no Vai Se Lembrar de Mim isso não ocorreu. Acho que esse tipo de situação só acontece depois de um tempo de estrada e com cabeças pensando na mesma direção musical e pessoal. Estamos muito felizes com os resultados do nosso último CD e nos sentimos prontos para gravar o sucessor. A parte boa foi que conseguimos gravar nosso CD com nossos próprios recursos, o que nos deu liberdade de ter tempo de pensar, arranjar e mixar tudo como gostaríamos.

7 – Geralmente o nome da banda é bem complicado de sair, com surgiu Porão 365?
No nosso caso foi fácil. Enquanto todo mundo ensaiava em garagem, começamos a tocar em um porão. Ensaiamos até hoje no porão da casa de número 365, então PORÃO 365.

8 – O cd “Vai se lembrar de mim” tem canções que parecem serem feitas para alguém especial, pode se entender isso mesmo? A banda tem algum tema fixo, ou alguma inspiração para compor?
Não temos um assunto que nos focamos mais em nossas letras e falamos do cotidiano de todos os brasileiros. Quanto as músicas do “Vai Se Lembrar de Mim” é correto afirmar que algumas músicas foram feitas para algumas pessoas especiais como “A Sua Espera” e “A Lenda”. Muitas vezes estamos com um tema e desenvolvemos uma música utilizando-se daquela emoção. Acho isso legal, pois mostra um assunto que é real e as pessoas quanto escutam conseguem captar isso nas letras.

9- A banda já tem um bom reconhecimento, como foi sair da garagem e encarar o palco, ver aquela multidão cantando e agitando com a banda? Dá uma sensação de que o sonho da banda está realizado?
Sim. Como respondi anteriormente o número de fãs sempre vem aumentando o que mostra que estamos no caminho certo. Sem dúvida foi a realização de um sonho que está ocorrendo pouco a pouco em nossa carreira.

10- A banda se intitula como “o novo grito do rock nacional”. Como é fazer rock and roll no Brasil?
Rock é uma coisa inexplicável. Eu particularmente tenho o rock como um estilo de vida e estou muito feliz conseguindo ganhar dinheiro com um estilo de música que muitas vezes pela dificuldade de mercado, leva grandes músicos a procurarem outros estilos para sobreviverem disso. Me considero um privilegiado .

11 – Como vocês reagem ao ver estas bandas “coloridas” tendo um maior destaque no cenario musical?
Acho muito legal. Ficamos felizes de ver a nova geração curtindo o rock. Acho importante que os adolescentes estejam ligados em um tipo de música que contenha guitarra, baixo e bateria. Eu estava preocupado com as pessoas apenas curtindo música eletrônica e deixando de lado os instrumentos acústicos e o rock. Mais tarde os jovens fãs dessas bandas se tornarão admiradores do rock em geral. Já tocamos com a Restart e foi uma experiência bem interessante.

12- A banda regravou o sucesso “Mistérios da meia noite” do Zé Ramalho, como foi esta experiência?
Fazemos algumas versões de músicas da nossa MPB e essa do Zé sempre esteve presente em nosso repertório. Um dia tivemos a felicidade de tocar com ele em Votorantim/SP no maior show da banda até hoje para cerca de 30.000 pessoas. Depois do show conversamos com o próprio Zé Ramalho que nos autorizou a gravamos a música. Foi uma noite e um fato inesquecível.

13- Sabemos que mesmo nos dias de hoje ainda existe um certo preconceito com a carreira artística. Como foi para vocês decidir levar a banda a sério? Houve apoio dos familiares e amigos íntimos?
Nossas famílias são as grandes engrenagens de nossa carreira. Sem o apoio da família acho que não teríamos chegado onde estamos. Eles sempre nos apoiaram e são peça fundamental de tudo o que conquistamos.

14- A música já foi muito utilizada para expressar descontentamento social quando este era proibido. Vocês acreditam que ela ainda seja um meio importante de protesto e influência?
Todas as formas de arte sempre foram uma forma de expressar os sentimentos da humanidade ao longo de toda a nossa história. Acho que a música e em especial o rock, jamais perderá essa característica. Já vimos ao longo dos anos à música trabalhando por causas sociais, parando guerras e tornando a vida de muitas pessoas melhor. Então Long Live Rock n´Roll.

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